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Trabalho dos ferroviários promoveu a integração do Mato Grosso do Sul

Histórias e desafios dos ferroviários são celebrados no Dia do Ferroviário, destacando a relevância da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

30/04/2026 às 13:23
Por: Redação

Há 172 anos, D. Pedro II inaugurou o primeiro trecho da Estrada de Ferro Petrópolis no Rio de Janeiro, dando início a uma era em que as ferrovias se tornaram fundamentais para o desenvolvimento econômico de várias cidades brasileiras. Além de impulsionarem o crescimento, os trilhos desempenharam papel crucial na migração, conexão de pessoas e construção da comunidade ferroviária no País. Comemorado no dia 30 de abril, o 'Dia do Ferroviário' homenageia os trabalhadores que contribuíram e continuam a contribuir para esse processo essencial.

 

Os ferroviários foram uma das primeiras categorias profissionais organizadas no Brasil, contribuindo significativamente para a conquista de direitos que beneficiariam todos os trabalhadores do País. Esses profissionais não apenas operavam os trens, mas também desempenharam papéis essenciais na construção do Brasil moderno, integrando regiões isoladas e criando rotas comerciais. A ligação com as ferrovias frequentemente se transformava em uma tradição familiar.

 

A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, estabelecida em novembro de 1908, foi determinante para a integração estratégica do território sul-mato-grossense. A ferrovia propiciou ocupação efetiva nas regiões de fronteira, diminuindo o risco de invasões estrangeiras. As localidades de Campo Grande, Três Lagoas, Corumbá, Miranda, Água Clara, Sidrolândia, Maracaju e Ponta Porã se desenvolveram graças a essa infraestrutura, fortalecendo a economia local e nacional.

 

De acordo com Bruno Ferreira, arquiteto e autor do livro "Estações Ferroviárias – da linha tronco e do ramal Ponta Porã", a ferrovia deve sua importância às pessoas que dedicaram sua vida ao setor. O conceito de ferroviário abrange todos os profissionais envolvidos na cadeia operacional, desde aqueles que trabalham nas pedreiras até os que garantem a segurança e a manutenção dos trilhos.

 

Nelson Araújo, ex-maquinista, destaca a ferrovia como parte vital de sua herança familiar. Ele exalta a época em que trabalhava na Noroeste do Brasil, apesar das árduas jornadas de até 36 horas, e relembra com tristeza a privatização em 1995, que resultou em demissões indesejadas para muitos de seus colegas.

 

Moacir Lacerda, músico e historiador, enfatiza que a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil modificou a identidade cultural do Mato Grosso do Sul, promovendo urbanização e interligação com outras regiões do Brasil. A chegada de diversas populações como nordestinos, mineiros, paulistas e imigrantes de várias partes do mundo moldou a cultura sul-mato-grossense.

 

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